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Trump propõe taxa de 100% sobre filmes estrangeiros em nova cruzada protecionista

Quando o nacionalismo patético se torna política oficial e ameaça transformar cultura em trincheira de guerra comercial

05/05/2025 às 00h11 Atualizada em 06/05/2025 às 11h43
Por: Yugi Vasconcellos Fonte: Yugi Vasconcellos & CNN Brasil
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Donald Trump
Donald Trump

O presidente Donald Trump acaba de acrescentar mais um capítulo à longa lista de disparates que marcaram sua trajetória política. Ao anunciar a intenção de impor uma tarifa de 100% sobre filmes estrangeiros importados pelos Estados Unidos, o atual presidente não apenas revela um nacionalismo comercial fora de época — revela também uma concepção distorcida e profundamente ignorante sobre o funcionamento da cultura e da economia no século XXI.

Não é a primeira vez que Trump recorre ao expediente do protecionismo para acenar à sua base eleitoral. Já o fez com aço, alumínio, automóveis e uma série de produtos que se tornaram vítimas de suas guerras comerciais improvisadas. Agora, porém, ao tentar estender tarifas ao setor audiovisual, ultrapassa uma linha crítica: passa a atacar não mercadorias, mas ideias, narrativas e expressões culturais.

A proposta não resiste a qualquer análise técnica. Filmes são classificados como propriedade intelectual e serviços — categorias que, em princípio, não podem ser tarifadas como bens físicos. Mas, além do equívoco jurídico evidente, a iniciativa carrega um simbolismo ainda mais grave: representa uma tentativa desesperada de isolar culturalmente um país cuja força sempre esteve na abertura ao mundo, na diversidade e no intercâmbio de talentos.

Trump, mais uma vez, tenta construir muros onde o mundo exige pontes. Em vez de propor políticas de estímulo à inovação, ao fortalecimento das produções nacionais e à adaptação às novas dinâmicas do consumo digital, escolhe o caminho mais fácil (e mais tosco): punir a concorrência externa. Como sempre, prefere culpar o estrangeiro em vez de enfrentar os desafios internos.

Os números do setor desmentem a narrativa apocalíptica que ele tenta vender. É fato que a bilheteria doméstica sofreu quedas após a pandemia e que o mercado ainda não retomou o ritmo de 2018. Mas reduzir essas dificuldades à competição internacional é, na melhor das hipóteses, uma ingenuidade. Na pior, é uma mentira deliberada. O declínio no número de lançamentos e a migração do público para plataformas de streaming são fenômenos globais, que exigem respostas estratégicas e não bravatas.

A política externa do medo, tão característica do trumpismo, retorna agora sob a forma de uma guerra cultural mal disfarçada. Ao apresentar concorrência econômica como “ameaça à segurança nacional”, Trump tenta justificar o injustificável e transfere para o setor criativo um conflito que é, no fundo, político e ideológico.

Essa tentativa de domesticar a cultura por meio de tarifas comerciais não é apenas economicamente desastrosa. É intelectualmente pobre. É moralmente vergonhosa. Demonstra uma liderança que, incapaz de compreender o presente, busca refugiar-se em soluções ultrapassadas e discursos reciclados que não encontram eco no cenário global contemporâneo.

O nacionalismo de Trump, travestido de proteção econômica, é um teatro grotesco encenado para plateias que ainda acreditam que fechar portas é mais eficaz do que abrir caminhos. A cultura, por sua natureza, sempre desafiou fronteiras. E continuará a fazê-lo, apesar de muros, tarifas e lideranças patéticas.

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